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ENTRE ELAS


Prevenção · Acolhimento · Informação · Transformação

"Uma por Todas e Todos por uma"

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Um espaço seguro

Como identificar uma relação abusiva

A violência raramente começa com a agressão. Ela começa muito antes, em pequenos sinais — e o agressor costuma ser extremamente sedutor no início.

Se você está aqui buscando respostas sobre o seu relacionamento, isso já é um passo de coragem. Este espaço não existe para julgar, e sim para te ajudar a enxergar com mais clareza. Você não está sozinha.

Os 6 tipos de violência (Lei Maria da Penha, Art. 7º)

Física

Qualquer conduta que ofenda integridade ou saúde corporal.

Sinal: marcas, dores, medo físico.

Psicológica

Humilhação, manipulação, chantagem, isolamento, vigilância. A mais comum e a mais difícil de identificar.

Sinal: você se sente menor, insegura ou "louca" perto dele.

Moral

Calúnia, difamação, injúria.

Sinal: ele fala mal de você para outros ou te expõe "para te colocar no lugar".

Patrimonial

Controlar, destruir ou reter bens, documentos, dinheiro.

Sinal: você precisa "prestar contas" para gastar o que é seu.

Sexual

Forçar relação sexual não desejada, inclusive no casamento.

Sinal: você disse "não" e não foi respeitada.

Vicária (Lei 15.384/2026)

Usar filhos, animais ou pessoas queridas como instrumento de dor e controle.

Sinal: ele ameaça ou manipula através de quem você ama.

O Ciclo da Violência (Lenore Walker)

Apesar de a violência doméstica ter várias fases e especificidades, a psicóloga norte-americana Lenore Walker identificou que as agressões cometidas em um contexto conjugal ocorrem dentro de um ciclo que é constantemente repetido.

AUMENTO DA TENSÃO ATO DE VIOLÊNCIA LUA DE MEL CICLO DA VIOLÊNCIA

1. Tensão crescente

Provocações, silêncios, cobranças.

2. Explosão

A agressão acontece.

3. "Lua de mel"

Pedidos de desculpa, promessas, carinho intenso.

Entender o ciclo da violência colabora para perceber a relação abusiva que uma mulher possa estar inserida! O ciclo se repete e tende a encurtar com o tempo — isso explica por que sair é difícil, não é falta de força.

Sinais de alerta no início do relacionamento

  • Ciúme excessivo romantizado
  • Isolamento gradual de amigos e família
  • Intensidade acelerada (declarações de amor precoces)
  • Controle disfarçado de cuidado
  • Desvalorização sutil (piadas, comparações)
  • Alternância entre carinho extremo e frieza imprevisível

Nenhum sinal isolado define abuso — mas quando vários aparecem juntos e se repetem, vale prestar atenção.

  • Ele se irrita ou pune você quando você discorda?
  • Você sente que precisa "pedir permissão" para ver amigos, família ou sair?
  • Ele controla ou questiona como você gasta seu próprio dinheiro?
  • Você já mudou seu jeito de se vestir, falar ou agir com medo da reação dele?
  • Ele ameaça terminar, machucar você (ou a si mesmo) quando está bravo?
  • Você sente mais alívio quando ele não está por perto do que quando está?
  • Ele minimiza, ridiculariza ou nega o que você sente?
  • Você evita tocar em certos assuntos com medo de uma explosão?
  • Ele já verificou seu celular, suas redes ou perguntou "com quem você estava falando"?
  • Você já duvidou da sua própria memória ou percepção por causa de algo que ele disse?

Não existe um número certo de "sins" para confirmar. Se alguma dessas perguntas te tocou, isso já é motivo suficiente para conversar com alguém de confiança.

Onde buscar ajuda

Ângela — Instituto Natura

Assistente virtual gratuita e discreta pelo WhatsApp, aberta a qualquer mulher em situação de risco.

📱 Fale com a Ângela

Ver todos os canais de atendimento

Portal Entre Elas

Conheça seus direitos

As leis que protegem mulheres, crianças e adolescentes no Brasil — e os canais oficiais para pedir ajuda, sempre atualizados.

Sua segurança em primeiro lugar.

Violência contra a Mulher

7 leis

Legislação que define, previne e pune a violência contra a mulher.

2006Nº 11.340

Lei Maria da Penha (atualizada)

Lei nº 11.340/2006, com alteração da Lei nº 15.384/2026
O que garante

Cria mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, com medidas protetivas de urgência, assistência à vítima e responsabilização do agressor.

As 6 formas de violência (art. 7º)
  • Física, psicológica, sexual, patrimonial e moral (previstas desde 2006)
  • Violência vicária (incluída pela Lei nº 15.384/2026): causar sofrimento à mulher por meio de filhos, dependentes ou pessoas do seu vínculo afetivo
Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 11.340/2006
2015Nº 13.104

Lei do Feminicídio

Lei nº 13.104/2015
O que garante

Inclui o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio: matar mulher por razões da condição de sexo feminino — violência doméstica, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Pena
  • Reclusão de 12 a 30 anos, classificado como crime hediondo
  • Aumento de pena: gestante, vítima menor de 14 ou maior de 60 anos, na presença de filho ou familiar
Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 13.104/2015
2023Nº 14.541

Lei do Funcionamento 24h das DEAMs

Lei nº 14.541/2023
O que garante

Determina que as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) funcionem ininterruptamente — 24 horas por dia, 7 dias por semana, incluindo feriados.

Outros pontos
  • Atendimento preferencialmente em sala reservada, por policiais mulheres
  • Onde não houver DEAM, a delegacia comum deve priorizar atendimento por agente feminina capacitada
Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 14.541/2023
2026Nº 15.409

Lei do Cadastro Nacional de Agressores

Lei nº 15.409/2026
O que garante

Cria o Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência contra a Mulher (CNVM), banco de dados unificado consultável por órgãos de segurança pública em todo o país.

O que reúne
  • Nome, documentos, fotografia e impressões digitais dos condenados com trânsito em julgado
  • Facilita a localização de agressores foragidos e previne reincidência entre estados
Fonte: Presidência da República / Agência Brasil — Lei nº 15.409/2026
2021Nº 14.132

Lei do Stalking

Lei nº 14.132/2021 · art. 147-A do Código Penal
O que garante

Tipifica o crime de perseguição (stalking): perseguir alguém reiteradamente, por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica ou invadindo sua privacidade — inclusive online.

Pena
  • Reclusão de 6 meses a 2 anos, e multa
  • Pena aumentada em metade se a vítima for mulher (por razões de gênero), criança, adolescente ou idoso
Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 14.132/2021
2021Nº 14.188

Lei da Violência Psicológica

Lei nº 14.188/2021 · art. 147-B do Código Penal
O que garante

Cria o tipo penal específico de violência psicológica contra a mulher: causar dano emocional que prejudique seu desenvolvimento, ou que vise degradar e controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões.

Como se manifesta
  • Ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização
Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 14.188/2021
2026Nº 15.384

Lei do Vicaricídio

Lei nº 15.384/2026 · art. 121-B do Código Penal
O que garante

Tipifica o vicaricídio: matar descendente, dependente ou pessoa do vínculo afetivo da mulher com a finalidade de causar-lhe sofrimento, punição ou controle.

Pena
  • Reclusão de 20 a 40 anos, incluído no rol dos crimes hediondos
  • Permite medidas protetivas mesmo quando a mulher não sofreu agressão física diretamente
Fonte: Câmara dos Deputados / Senado Federal — PL 3.880/2024, convertido na Lei nº 15.384/2026

Proteção da Criança e do Adolescente

3 leis

Leis que protegem crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.

2022Nº 14.344

Lei Henry Borel

Lei nº 14.344/2022
O que garante

Cria medidas de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar, nos mesmos moldes da Lei Maria da Penha — independentemente do sexo da vítima.

Principais medidas
  • Afastamento imediato do agressor do lar em até 24 horas
  • Dever de qualquer pessoa denunciar a violência (Disque 100, Conselho Tutelar ou polícia)
Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 14.344/2022
2017Art. 7º

Lei da Escuta Especializada

Lei nº 13.431/2017 · art. 7º
O que garante

Procedimento de entrevista sobre uma possível situação de violência com criança ou adolescente, feito pela rede de proteção (saúde, assistência social e educação).

Objetivo

Cuidado e proteção, não produção de provas. Evita repetição desnecessária do relato.

Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 13.431/2017
2017Art. 8º

Lei do Depoimento Especial

Lei nº 13.431/2017 · art. 8º
O que garante

Procedimento de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária, com finalidade investigativa.

Como funciona
  • Realizado em ambiente acolhedor, por profissional especializado
  • Gravado em áudio e vídeo, para evitar relatos repetidos
Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 13.431/2017

Direitos das Vítimas

1 lei

Proteção da vítima durante o processo judicial.

2021Nº 14.245

Lei Mariana Ferrer

Lei nº 14.245/2021
O que garante

Protege vítimas de violência sexual e testemunhas contra humilhação e exposição indevida durante audiências — coíbe a chamada "revitimização".

Principais mudanças
  • Veda perguntas sobre a vida pessoal da vítima sem relação com os fatos apurados
  • Aumenta em 1/3 até metade a pena do crime de coação no curso do processo
Fonte: planalto.gov.br — Lei nº 14.245/2021

Rede de Atendimento

7 canais

Onde buscar ajuda, denunciar ou pedir orientação — gratuito e a qualquer momento.

180
Central de Atendimento à Mulher
Orientação, denúncia e encaminhamento. Funciona 24h, todos os dias.
190
Polícia Militar
Emergência policial — situação de risco imediato.
188
CVV — Centro de Valorização da Vida
Apoio emocional e prevenção do suicídio, sigiloso e gratuito. Funciona 24h, todos os dias.
100
Disque Direitos Humanos
Denúncias de violência contra crianças, adolescentes e idosos.
DEAM
Delegacia da Mulher
Registro de boletim de ocorrência e pedido de medida protetiva. 24h.
DP
Defensoria Pública
Assistência jurídica gratuita para solicitar medidas protetivas.
CT
Conselho Tutelar
Acionamento em casos com crianças e adolescentes em risco.

Ângela — Instituto Natura

Uma assistente virtual que te ouve, orienta e, se for preciso, te conecta com uma rede de apoio segura — tudo pelo WhatsApp, de forma discreta e gratuita. Ao iniciar a conversa, ela vai te dar boas-vindas e perguntar seu vínculo com a Natura, mas o atendimento é aberto a qualquer mulher em situação de risco.

📱 Fale com a Ângela

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Este portal tem finalidade informativa e educativa. A legislação pode ser alterada — para o texto oficial e integral de cada lei, consulte sempre planalto.gov.br. Em caso de risco imediato, ligue 190.

Saúde Mental

Prevenção ao suicídio: falar sobre isso salva vidas

Suicídio não tem uma causa única, e falar sobre o assunto de forma aberta e cuidadosa não incentiva — pelo contrário, é uma das formas mais eficazes de prevenção.

Se você está passando por um momento difícil, ou conhece alguém que está: você não precisa estar em uma crise para pedir ajuda, e não precisa passar por isso sozinho(a).

Sinais de alerta

  • Mudanças bruscas de humor ou comportamento
  • Isolamento de amigos, família e atividades que antes gostava
  • Falar sobre não ter mais razão para viver ou ser um "peso" para os outros
  • Se despedir das pessoas ou distribuir objetos pessoais sem explicação
  • Mudanças no sono, no apetite ou aumento no uso de álcool e outras substâncias
  • Comentários de desesperança ou de não enxergar futuro

Nenhum sinal isolado confirma risco — mas juntos, repetidos ou fora do padrão da pessoa, merecem atenção e uma conversa cuidadosa.

Como ajudar alguém

  • Escute sem julgar e leve a sério o que a pessoa está sentindo
  • Evite minimizar ("isso vai passar") ou dar sermão
  • Não deixe a pessoa sozinha em um momento de crise
  • Ajude a buscar apoio profissional — e ofereça companhia nesse passo
  • Ligue para o CVV junto com a pessoa, se for preciso
  • Cuide de você também — apoiar alguém também pode pesar
188

Peça ajuda — CVV, Centro de Valorização da Vida

Apoio emocional sigiloso e gratuito, 24 horas por dia, todos os dias. Ligação, chat e e-mail — para quem precisa falar e para quem quer aprender a escutar.

O que é o

Entre Elas?

Entre Elas

"Aqui, você pode falar, ouvir, se abrir ou apenas ser."

Missão

Criar espaços de acolhimento, escuta e transformação, promovendo através da Psicologia Social e Comunitária a prevenção da violência, o fortalecimento emocional, o empoderamento feminino e a educação para relações mais conscientes, respeitosas e seguras.

Como atuamos

Rodas de conversa, palestras, intervenções comunitárias e ações psicoeducativas.

Para quem

O Entre Elas está presente em escolas, empresas, ONGs e comunidades — em qualquer espaço onde seja possível acolher, informar e transformar.

Entre Elas: acolhe, informa e empodera meninas e mulheres por meio da escuta, conscientização e fortalecimento emocional.

Acolher

Escuta empática, sem julgamento, como primeiro passo de toda intervenção.

Informar

Educação socioemocional e conscientização em cada roda de conversa e palestra.

Transformar

Mudança social que começa em cada roda, cada turma, cada conversa.

Como atuamos

Presente em todos os contextos onde há espaço para acolher e transformar

Ação em escola

Escolas

Palestras e rodas de conversa sobre respeito, gênero e direitos para alunos do ensino fundamental e médio.

Ação em empresa

Empresas

Ações sobre saúde emocional, equidade de gênero e convivência saudável no ambiente corporativo.

Ação em ONG

ONGs e Comunidades

Intervenções comunitárias, rodas de conversa e suporte psicoeducativo para mulheres em vulnerabilidade.

Ação em faculdade

Faculdades

Palestras e projetos que integram a Psicologia Social às demandas reais das comunidades.

Registros reais

Nossas ações em campo

Ao longo do ano

Campanhas de conscientização

O calendário de datas de conscientização orienta parte das nossas ações — cada mês, um tema para acolher, informar e transformar.

Maio Laranja

Maio Laranja

Proteção de crianças e adolescentes — Prevenção da violência sexual, escuta segura e fortalecimento dos adultos de confiança.

Agosto Lilás

Agosto Lilás

Enfrentamento à violência contra a mulher — Conscientização sobre sinais de violência, direitos, proteção e caminhos para denúncia.

Setembro Amarelo

Setembro Amarelo

Valorização da vida e saúde mental — Acolhimento, escuta, informação responsável e incentivo à busca por ajuda.

Saiba mais →
Mães que Falam — Acolhendo a maternidade

Mães que Falam

Acolhendo a maternidade — Rodas de conversa para elaborar o luto de ver o filho criança se tornar adolescente, e atravessar essa fase com mais escuta, informação e conexão.

Entre Eles

Respeito e prevenção desde cedo — Educação emocional, consentimento, equidade e desconstrução de padrões violentos com meninos e adolescentes.

Educação para o Respeito

Entre Eles

Entre Eles

O Entre Eles é parte do Entre Elas, dedicado a meninos e homens: uma proposta de educação emocional, respeito e prevenção à violência, desde cedo.

Entre Eles: acolhe, ensina e educa meninos para relações mais respeitosas, rompendo padrões de masculinidade tóxica e construindo caminhos de escuta, empatia e responsabilidade afetiva.

Conhecer a metodologia

Entre Eles: reflexões que formam respeito

Entre Eles

"Não se nasce homem — torna-se. E o que se aprende, também pode ser reaprendido."

— Sócrates Nolasco, psicólogo brasileiro, autor de O Mito da Masculinidade (1993)

Por que falar de masculinidade também é proteger meninos

Nas últimas três décadas, os estudos de masculinidades documentam como a cobrança por um único modelo rígido de "ser homem" prejudica os próprios meninos: reprime emoções, isola amizades e normaliza a violência como prova de força.

Raewyn Connell

Mostrou que existe uma masculinidade hegemônica, mais valorizada socialmente, que hierarquiza os próprios homens entre si e machuca quem não se encaixa nela.

Kindlon & Thompson

Documentaram como meninos são treinados a esconder medo e tristeza atrás de uma fachada de força, e defenderam a alfabetização emocional como proteção.

Judy Chu

Mostrou que meninos pequenos nascem tão relacionais e afetuosos quanto meninas — e vão "desaprendendo" isso por pressão social.

Niobe Way

Documentou como meninos perdem amizades íntimas na adolescência por medo de parecerem fracos, com impacto direto na saúde emocional.

bell hooks

Argumentou que o patriarcado também aprisiona os homens, e defendeu educar meninos para o amor, não para a dominação.

Instituto Promundo

Com o Programa H, traduziu essas ideias em prática — um método brasileiro hoje usado em mais de 30 países para engajar jovens homens na equidade de gênero.

Proteger meninos e desconstruir o machismo são a mesma tarefa, vista por dois ângulos.

O contexto brasileiro: por que isso é urgente

Suicídio

  • A taxa de suicídio entre homens no Brasil é de 12,6 por 100 mil habitantes, contra 5,4 por 100 mil entre mulheres — homens morrem por suicídio cerca de 3,8 vezes mais que mulheres (OMS).
  • Entre 1996 e 2017, 79% das mortes por suicídio registradas no Brasil foram de homens (DATASUS).
  • Entre os fatores associados está o isolamento emocional, a dificuldade de pedir ajuda e o uso de álcool e outras substâncias — o padrão descrito por Kindlon e Thompson como consequência da "má-educação emocional" dos meninos.
188 CVV — apoio emocional sigiloso e gratuito, 24h. Saiba mais e peça ajuda →

Violência letal

  • Em 2024, foram assassinados 19.801 jovens de 15 a 29 anos no Brasil — 18.545 eram homens, com taxa de homicídio de 78,0 por 100 mil habitantes, quase o dobro da taxa geral do país (Atlas da Violência 2026, Ipea/FBSP).
  • Dos 54 jovens mortos por dia no Brasil em 2024, 51 eram homens.
  • Entre adolescentes de 15 a 19 anos, armas de fogo foram usadas em 84,1% dos homicídios.
Os números confirmam o que a literatura já apontava: falar sobre masculinidade com meninos, desde cedo, não é modismo — é prevenção.

Sinais de alerta em meninos e adolescentes

Nenhum sinal isolado indica, por si só, que um menino está em sofrimento. O que importa é observar o padrão, a intensidade e a mudança em relação ao comportamento habitual — sempre com cautela e sem alarmismo. Muitas vezes, o sofrimento aparece disfarçado de raiva, não de tristeza.

Primeira infância e infância escolar (até 11 anos)

  • Dificuldade ou recusa em expressar tristeza, medo ou em pedir colo e ajuda, mesmo diante de situações claramente angustiantes.
  • Uso da agressividade física como única forma de expressar frustração.
  • Afastamento de brincadeiras afetivas ou de cuidado que antes lhe davam prazer.
  • Repetição de frases como "menino não chora" para si mesmo ou para colegas.
  • Bullying praticado ou sofrido por não se encaixar em padrões de masculinidade.

Adolescência (12 a 18 anos)

  • Isolamento social crescente, sobretudo afastamento de amizades antes próximas.
  • Uso de agressividade, sarcasmo ou humor debochado para evitar demonstrar vulnerabilidade.
  • Comportamentos de risco: uso de álcool ou outras substâncias, direção perigosa, brigas frequentes.
  • Dificuldade de falar sobre sentimentos mesmo em momentos de crise evidente.
  • Reprodução de falas ou atitudes machistas como forma de pertencimento a um grupo.
  • Sinais de sofrimento silencioso: mudança de apetite ou sono, queda de desempenho, comentários sobre não ter propósito.
O primeiro passo para ajudar é reconhecer que, em muitos meninos, o sofrimento se manifesta como raiva — não como tristeza.

Lily Ensina

Lily — Espalhando amor, respeito e alegria por onde passa

Aqui você encontra o porquê de cada jornada, o que ela desenvolve na criança, quais sinais observar e o que fazer diante de uma revelação.

Lily Ensina não substitui avaliação ou acompanhamento profissional. É uma ferramenta de apoio para o adulto que já está presente na vida da criança.

As 5 competências desenvolvidas pela Lily

Autoconhecimento

Jornada Minhas Emoções.

Autogestão

Termômetro da Raiva, Caixinha da Calma.

Consciência social

Diferenças que Conectam.

Habilidades de relacionamento

Amizade e Respeito, Bullying.

Tomada de decisão responsável

Segredos e Confiança, Meu Corpo é Meu.

Jornada com a Lily

Amizade e Respeito

Por que esse tema importa

A Abordagem Centrada na Pessoa de Rogers mostra que relações pautadas em aceitação incondicional e empatia sustentam o desenvolvimento saudável da autoestima. Por isso essa jornada abre o livro.

O que a criança está aprendendo

Reciprocidade social, teoria da mente inicial e autorregulação social básica.

Como conduzir

Participe da pintura, comente as cenas junto com a criança e pergunte "e você, já viveu isso?" sem forçar uma resposta.

Sinais de alerta

Dificuldade extrema de reciprocidade, isolamento social persistente, ou relatos frequentes de maus-tratos por colegas.

Se a criança revelar algo preocupante

Converse com a escola e observe se existe um padrão de exclusão ou maus-tratos.

Diferenças que Conectam

Por que esse tema importa

Crianças formam categorias sociais (raça, gênero, corpo) muito cedo, já entre 3 e 5 anos. Nomear e problematizar essas diferenças ativamente previne a cristalização de preconceitos.

O que a criança está aprendendo

Categorização cognitiva típica da fase pré-operatória (Piaget) e desconstrução ativa de estereótipos.

Como conduzir

Evite respostas vagas como "somos todos iguais" — nomeie a diferença como algo real e positivo, sem apagá-la.

Sinais de alerta

Comentários discriminatórios repetidos, vindos de fora, que a criança reproduz sem perceber o impacto.

Se a criança revelar algo preocupante

Corrija com gentileza, sem culpabilizar a criança, e converse sobre de onde veio aquela ideia.

Bullying Não é Brincadeira

Por que esse tema importa

Programas de prevenção baseados no papel do espectador (bystander) são mais eficazes do que abordagens focadas apenas em punir quem agride.

O que a criança está aprendendo

Distinção entre conflito comum e violência repetida e intencional; papel ativo da testemunha diante do sofrimento alheio.

Como conduzir

Use exemplos concretos do cotidiano, sem dramatizar demais, e convide a criança a pensar em como ela agiria.

Sinais de alerta

Recusa em ir à escola, queda no desempenho, mudanças bruscas de humor, lesões inexplicadas, isolamento repentino.

Se a criança revelar algo preocupante

Acione a escola formalmente, documente o relato com calma e evite interrogar excessivamente a criança.

Minhas Emoções

Por que esse tema importa

A alfabetização emocional é pré-requisito para a autorregulação (competência central do CASEL) e para que a criança consiga, mais adiante, verbalizar desconforto em situações de risco.

O que a criança está aprendendo

Vocabulário emocional, reconhecimento de sensações corporais associadas a emoções e estratégias simples de autorregulação.

Como conduzir

Valide qualquer emoção nomeada pela criança, mesmo raiva ou inveja — o objetivo não é eliminar a emoção, é reconhecê-la.

Sinais de alerta

Dificuldade extrema em nomear emoções, explosões frequentes e desproporcionais, tristeza persistente sem causa aparente.

Se a criança revelar algo preocupante

Diante de sinais de sofrimento emocional persistente, procure orientação de um psicólogo infantil.

Segredos e Confiança

Por que esse tema importa

Uma das jornadas mais diretamente ligadas à prevenção de abuso. Ensinar a diferença entre segredo bom e segredo que causa sofrimento é um dos fatores protetivos mais eficazes segundo a literatura em proteção infantil.

O que a criança está aprendendo

Discernimento entre segredo positivo (surpresa) e segredo que gera desconforto; identificação da própria rede de apoio.

Como conduzir

Use os exemplos do livro como ponto de partida e pergunte quem são os adultos de confiança da própria criança.

Sinais de alerta

Recusa em falar sobre determinado adulto, mudança de comportamento após estar com certa pessoa, conhecimento sexual incompatível com a idade, medo de ficar sozinho(a) com alguém específico.

Se a criança revelar algo preocupante

Mantenha a calma, não interrogue, agradeça por ter contado, e procure Conselho Tutelar, escola ou profissional especializado. Não confronte o suposto responsável diretamente.

Meu Corpo é Meu

Por que esse tema importa

Ensinar os nomes corretos das partes íntimas e reforçar a autonomia corporal (o direito de dizer não a um toque) são estratégias com eficácia comprovada na prevenção de abuso sexual infantil.

O que a criança está aprendendo

Vocabulário anatômico correto, noção inicial de consentimento, diferenciação entre toque adequado e inadequado.

Como conduzir

Use tom natural e tranquilo, sem alarme — trate o tema como parte do autocuidado, não como algo assustador.

Sinais de alerta

Comportamento sexualizado incompatível com a idade, resistência a exames médicos de rotina, desconforto extremo com determinada pessoa, dores ou sintomas físicos sem explicação.

Se a criança revelar algo preocupante

Mesma orientação da jornada anterior: acolher sem interrogar, e buscar apoio profissional e institucional imediatamente.

Como Minha Mente Cresce

Por que esse tema importa

Baseada nos estágios de desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget, esta jornada ajuda o adulto a calibrar expectativas de acordo com a fase da criança, evitando cobranças incompatíveis com sua maturidade.

O que a criança está aprendendo

Consciência inicial sobre o próprio processo de aprender (metacognição) e valorização do processo além do resultado.

Como conduzir

Aproveite para observar em qual fase a criança parece estar, e ajuste a linguagem das demais jornadas de acordo.

Sinais de alerta

Atraso significativo de desenvolvimento em relação aos marcos esperados para a idade.

Se a criança revelar algo preocupante

Diante de atraso relevante, converse com pediatra ou psicopedagogo — trata-se de acompanhamento responsável, não de comparação.

Protocolo resumido de acolhimento

Se uma criança revelar, de qualquer forma, uma situação de sofrimento, siga estes princípios:

  • Mantenha a calma. Sua reação é a primeira mensagem que a criança recebe.
  • Não interrogue. Escute o que ela quiser contar, no tempo dela.
  • Não julgue nem duvide. Diga: "Ainda bem que você me contou".
  • Não prometa segredo. Explique que você vai buscar ajuda para protegê-la.
  • Não confronte diretamente o suposto responsável pela situação.
  • Procure orientação com a escola, Conselho Tutelar ou um profissional especializado.

Cada ação planta uma semente de transformação

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